Se em 1994 nós temos a apresentação do mistério de Sarah Fier e em 1978 nós vimos toda essa mitologia se desenvolver, Rua do Medo: 1666 — Parte 3 surge com a missão de oferecer respostas para a trama principal da trilogia de terror da Netflix. O filme faz isto, não há como negar, mas oferece pouco além dessas resoluções.
Na nova trama, somos transportados ao lado de Deena (Kiana Madeira) para as memórias dos últimos dias de Sarah Fier, no ano de 1666. No condado de Union, que ainda não se dividiu entre Shadyside e Sunnyvale, descobrimos tudo relacionado à caça às bruxas e as maldições que reverberaram nos séculos seguintes sobre a cidade de nossos protagonistas.
O ritmo que a diretora Leigh Janiak adota é apressado, com uma montagem frenética que precisa dar conta de oferecer respostas, contar a história de Sarah Fier e ainda retornar ao ano de 1994 para que os adolescentes tenham um fechamento. Esta decisão não permite que o filme reproduza a atmosfera de sua maior inspiração, A Bruxa (2015), de Robert Eggers, um terror que aposta muito mais no suspense psicológico e para tal escolhe um ritmo mais contido. A pressa dos cortes também repete os erros de 1978, se afobando na construção de momentos-chave de horror.

Além disso, a reutilização de atores que já vimos na trilogia, como Benjamin Flores Jr., Sadie Sink e Fred Hechinger, que interpretam os colonos moradores de Union, faz com que toda a trama do século XVII tenha menos identidade. Fica a sensação de que estamos vendo uma turma de amigos adolescentes que assistiram ao filme de Eggers e decidiram encenar uma trama nos mesmos moldes, mas pouco sabem sobre aquele período.
É óbvio que o reaproveitamento do elenco e a montagem acelerada demonstram a intenção de Janiak em retomar aquele discurso apresentado em 1994, sobre a atualização de tramas clássicas do terror para os moldes atuais. Tudo isso passa pelo protagonismo feminino da franquia, no foco no casal formado por Deena e Sam (Olivia Scott Welch) e na humanização da bruxa, até então, vilã da franquia. O problema é que a produção faz as escolhas mais óbvias e tradicionais para transmitir suas ideias e deixa parecer que está atirando para todos os lados. Ao mesmo tempo que quer ressignificar os discursos de obras clássicas, pouco faz para renovar seu formato.
Por fim, Rua do Medo: 1666 — Parte 3, ainda que não ofereça mais do que já foi visto durante a trilogia, entrega um desfecho satisfatório para quem procurava respostas e encerra uma experiência interessante da Locadora Vermelha com seus lançamentos semanais, algo que não deve demorar para se repetir devido ao sucesso dos três filmes. Só nos resta torcer para que as futuras produções aprendam com seus erros.
Nota: 2/5

