Crítica: Rua do Medo: 1978 — Parte 2 (2021)

A primeira parte de Rua do Medo deixa clara a proposta de “filmes-tributo” que a trilogia iria seguir. Como comentei no texto sobre o filme anterior, a própria diretora e co-roteirista Leigh Janiak parece muito interessada nos clichês de terror e nas possibilidades de entretenimento que eles oferecem. Então, cada capítulo vai abusar de tudo que já foi feito e, levando isto em conta, a construção de 1978 é um pouco mais equilibrada do que 1994.

A trama se dá no Acampamento Nightwing, que é dividido por campistas e monitores vindos das duas cidades rivais que conhecemos no primeiro capítulo, Shadyside e Sunnyvale. Dentro desse cenário, conhecemos as irmãs Cindy (Emily Rudd) e Ziggy Berman (Sadie Sink). A primeira, mais velha, é monitora no acampamento, tem um namorado e planeja sair da amaldiçoada Shadyside o mais rápido possível, enquanto a caçula é vítima de bullying por parte dos adolescentes de Sunnyvale. Ambas vivem em pé de guerra, mas quando novas tragédias relacionadas às lendas de Sarah Fier acontecem, elas e o resto dos adolescentes precisam se unir para resolver o mistério e sobreviver.

O roteiro de Janiak e Zak Olkewicz trabalha em torno do processo de acerto de contas entre as irmãs e faz bem em desenvolver isto através das outras relações que as protagonistas têm. Logo, tanto a amiga rebelde de Cindy, Alice (Ryan Simpkins), quanto o futuro xerife Nick Goode (Ted Sutherland) recebem atenção e o espectador compreende melhor os dramas individuais de cada personagem.

Ted Sutherland e Sadie Sink são orientados por Leigh Janiak durante as filmagens.

Os acontecimentos aqui são mais fechados em si mesmos, deixando as conexões acerca da história principal (a maldição de Shadyside por Sarah Fier) para os personagens de Rua do Medo: 1994, que aparecem no começo e final para conectar os três filmes. Com isto, o roteiro adota uma abordagem mais tradicional de terror slasher e se agarra numa estrutura à la Sexta-Feira 13 (1980), com um único vilão matando adolescentes numa única noite, o que torna o filme um pouco mais equilibrado em termos narrativos.

Janiak implanta um tom mais sério. Uso de drogas, cenas mais explícitas de sexo e temas que envolvem problemas familiares, luto e suicídio são mais presentes. Se anteriormente, a cineasta tentava equilibrar humor e tensão de forma que um favorecia o outro, aqui busca construir uma atmosfera um pouco mais pesada e apoiada no drama. O problema é que nada disso favorece muito bem os elementos de terror em si e o filme se esquece de desenvolver o suspense de etapas que antecedem o gore, o sangue e os assassinatos. O espectador nada sente nos momentos-chave de terror e a experiência vai se tornando cada vez menos interessante.

Ao fim, Rua do Medo: 1978 — Parte 2 ainda tenta surpreender com um plot twist desnecessário e previsível. Mesmo com uma trama mais equilibrada e melhor desenvolvimento de personagens, o filme falha por não oferecer aquilo que uma produção do gênero precisa entregar: uma experiência minimamente estimulante, seja pelo excesso (como feito em 1994) ou pelo suspense (que não soube construir). Só nos resta aguardar para ver como a trilogia irá terminar.

Avaliação: 2 de 5.

Nota: 2/5