Logo no início de Amor e Monstros já é possível ver Joel (Dylan O’Brien) desenhando as criaturas que dominam a superfície de seu planeta. É quase como se o filme nos informasse de imediato que seu universo é fruto da imaginação de uma criança e buscar por respostas lógicas e funcionais (comuns nos blockbusters atuais de efeitos ultra realistas) é perda de tempo.
Como o título sugere, não é só sobre monstros que a imaginação de Joel fantasia. Para reencontrar seu antigo amor, que está a centenas de quilômetros da sua colônia subterrânea, o jovem decide cruzar um território hostil, cheio de insetos, anfíbios e crustáceos gigantes. E é claro que, ao se colocar frente a frente com os perigos do mundo, ele passará por uma grande jornada de amadurecimento.
Para essa aventura funcionar, o roteiro de Brian Duffield e Matthew Robbinson e a direção de Michael Matthews dão atenção aos detalhes, como o colar que simboliza a relação de Joel com Aimee (Jessica Henwick) e o caderno de desenhos que se torna símbolo do coming of age tardio do personagem conforme se transforma em um guia de sobrevivência. As relações que o protagonista constrói em seu caminho também são bem feitas: o cachorro Boy (alguém dê um Oscar para ele!), a robô Mav1s e a dupla formada por Michael Rooker e Ariana Greenblatt são os motores para Joel lidar com as perdas que teve no cenário pós-apocalíptico.

É muito satisfatório ver como o filme costura tudo de maneira orgânica dentro dessa jornada do herói sem esquecer de divertir. Cada encontro com as criaturas segue uma lógica de parque de diversões, com atrações que ora flertam com o horror, ora com a adrenalina pura e simples. O design criativo dos monstros ajuda nesse sentimento e as soluções que o filme encontra para eles justificam a indicação ao Oscar de efeitos visuais. Ao mesmo tempo, existe uma ideia de videogame com os perigos que vão escalando em dificuldade conforme o herói avança em direção ao objetivo.
Nesses momentos de fazer graça, o longa-metragem acena para todas assuas inspirações, que vão de Zumbilândia, The Last of Us e Mad Max até as aventuras dos tempos de Spielberg e Joe Dante — mas nunca fica refém de um jogo de referências. Inclusive, o desfecho do filme aposta nas mesmas fórmulas para lá de batidas de todas essas histórias, o que não deixa de ser um pouco decepcionante, mas também são uma recompensa aos cenários de heroísmo que toda criança imagina e faz desenhos sobre. Talvez Amor e Monstros apenas entenda que as grandes fórmulas de história já estão esgotadas mesmo, então que mal tem dar um abraço sincero nelas e se divertir?
Nota: 3.5/5

