Crítica: Missão: Impossível — Efeito Fallout (2018)

“‘Your mission, should you choose to accept it.’
I wonder, did you ever choose not to?
The end you’ve always feared is coming. And the blood will be on your hands.
The fallout of all your good intentions.”

É no mínimo especial observar o crescimento da franquia Missão: Impossível e o esforço depositado para que cada capítulo seja mais megalomaníaco e grandioso que o anterior. Não é qualquer série de filmes que tem um astro como Tom Cruise, que dispensa o uso de dublês e se submete a escalar o Burj Khalifa, decolar do lado de fora de um avião ou saltar entre prédios (quebrando o tornozelo no processo).

Em Efeito Fallout, Ethan Hunt (Cruise) e seus companheiros de IMF são obrigados a lidar com as consequências de sua última missão, na qual aprisionaram Solomon Lane (Sean Harris), líder da organização terrorista Sindicato, e conheceram Ilsa Faust (Rebecca Ferguson), ex-agente do Serviço Secreto Britânico.

É a primeira vez na franquia que existe um resgate de eventos anteriores. Não é à toa então que, além dos personagens de Nação Secreta, Christopher McQuarrie também retorne para entregar um trabalho mais consistente e o filme mais sombrio da franquia. O cineasta sabe controlar a narrativa e utilizar a tensão absoluta como principal arma para conduzir o espectador ao longo de 147 minutos de reviravoltas. É notável, por exemplo, o esmero da coreografia e elaboração das lutas e perseguições quando a câmera acompanha tudo de perto, colocando a ação em primeiro plano e em takes longos.

McQuarrie, enquanto roteirista, além de resgatar acontecimentos e personagens passados, traz algumas caras novas que evidenciam o lado mais sombrio e solitário de Ethan Hunt. Erica Sloan (Angela Bassett) se apresenta como a nova voz de autoridade da CIA, ocupando o lugar de Alan Hunley (Alec Baldwin), que anteriormente também não concordava com os métodos da IMF. August Walker, por sua vez, é um agente arrogante e sem os valores altruístas do protagonista, interpretado por um Henry Cavill que impressiona nas cenas de ação e se mostra mais à vontade do que em qualquer filme seu do universo DC.

Há ainda a adição da Viúva Branca de Vanessa Kirby, personagem misteriosa e interessante o bastante para talvez receber mais destaque no futuro da franquia. Michelle Monaghan também retorna ao papel de Julia, ex-esposa de Ethan, como um combustível extra de tensão.

Com tantos retornos e novos personagens, é natural que os velhos parceiros de Ethan, Luther (Ving Rhames) e Benji (Simon Pegg), percam um pouco de espaço e, com eles, principalmente durante a primeira metade do filme, o humor também some.

A cinematografia de Rob Hardy explora as locações do filme (Paris, Londres, Nova Zelândia, Noruega) de forma exuberante. O compositor Lorne Balfe, por sua vez, não se esconde ao emular a trilha de Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Hans Zimmer. E é difícil não comparar o trabalho de McQuarrie com o filme de Christopher Nolan em alguns momentos, pois ambos têm ritmo frenético, clima sombrio e cenas de ação mais cruas que favorecem o uso de dublês e efeitos práticos.

Tecnicamente e emocionalmente, Missão: Impossível — Efeito Fallout se coloca como o mais grandioso filme da franquia, entregando tudo que se espera dele e um pouco mais. Se Tom Cruise e Cia depositam um esforço enorme em cada filme, é divertido imaginar o que podem fazer no futuro.

Avaliação: 5 de 5.

Nota 5/5